domingo, setembro 02, 2007
fuck barbies
eu ainda sou do tempo das tuxas e das nancies, que tinham a cabeça maior do que as barbies o que levava a que, nos recreios, se contactasse pela primeira vez com o fenómeno das tribos. as meninas que tinham barbies não queriam cá misturas e claramente aquelas bonecas não podiam fazer parte do mesmo cenário de amigas-que-vão-às compras ou das famílias-perfeitas-porque-são-plástico-e-não-têm-contas-para-pagar. os filhos das nancies seriam do tamanho das barriguitas e as barbies nem sequer tinham filhos porque lhes estragava a figura plástica e podia dar cabo daquele parafuso mítico que lhes articula as pernas. mas havia sempre uma irmã mais nova para a matel chegar ao segmento de mercado das mães que querem alimentar o instinto maternal na sua prol para garantir netos, sem no entanto descurar o objectivo primeiro de fomentar o estereótipo de boneca de luxo, sempre impecável, com o melhor carro e as melhores roupas. brilhante, princesa, cintilante, sereia.
passam mais de 20 anos e a brincadeira muda de tom mas continua a ser incompatível o mundo das barbies e o das outras. não vale a pena tentar brincar na mesma rua sequer porque são simplesmente mundos diferentes. barbies e tuxas-e-nancies não habitam as mesmas casas, não frequentam os mesmos bares, não falam das mesmas coisas e não socializam com a mesma gama de bonecos. seria de supôr que as meninas que brincaram com tuxas, nancies e barriguitas tivessem aprendido esta lição.
passam mais de 20 anos e a brincadeira muda de tom mas continua a ser incompatível o mundo das barbies e o das outras. não vale a pena tentar brincar na mesma rua sequer porque são simplesmente mundos diferentes. barbies e tuxas-e-nancies não habitam as mesmas casas, não frequentam os mesmos bares, não falam das mesmas coisas e não socializam com a mesma gama de bonecos. seria de supôr que as meninas que brincaram com tuxas, nancies e barriguitas tivessem aprendido esta lição.
Comments:
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eu era muito pouco de barbies e isso explica a minha impopularidade na preparatória. Tive uma e decapitei-a tal qual marie antoinette e não feliz mordilhe a cabeça para conseguir retirar a bolinha que a ligava ao pescoço até a pobre boneca ter mais crateras que o Brian Adams. Fui má e não me orgulho, mas também não me envergonho porque depois dessa nunca mais me deram nenhuma o que tornou a minha vida muita mais colorida, cheia de Pinipons, que era duros e não davam para morder, logo, não davam para estragar.
Já Nancys, admito, não são do meu tempo ;-)
Já Nancys, admito, não são do meu tempo ;-)
o máximo que fiz foi cortar o cabelo a uma tuxa que ficou com um corte muito pouco fashion para a altura. na verdade era um corte muito à frente do seu tempo e eu passei ao lado de uma grande carreira no hair-styling porque hoje se vê muita gente sair dos factos e wips e outros que tais naquela figura. a tuxa ficou com ar de sapatona-fashion.
Obviamente os Kens que preferem barbies sao também barbies e como tal nada se passa naquela cabeca, caso contrario saberiam que as nancis e afins nao só tb sao feitas de plastico mas tem mais conteudo e carisma.
Fuck Ken's arranja um GI-Joe (sim felizmente nao me davam Barbies).
Fuck Ken's arranja um GI-Joe (sim felizmente nao me davam Barbies).
barbies tive três, uma delas princesa de cabelo cintilante, todas tiveram o mesmo fim - o corte de cabelo, as nuances a caneta de feltro, o mastiganço da suculenta e facilmente manobrável cabeça oca. as minhas barbies andavam sempre nuas, tal como o ken, de alguma forma eu achava que a roupa não se adequava a corpos plásticos. era dar.lhes um papel para além do sexo, o que não fazia sentido nenhum. ora bolas.
também tive uma nancy, de fato de tropa. provocou mais brigas de recreio e envelheceu pior que a barbie.
mas o problema de hoje, dos kens, barbies, nancies, GI joes, spidermanes e afins de carne e osso é a ausência de categorias puras. hoje temos barbies com cabeças de nancies, barbies barriguitas, kens aranhas, etc.
hoje qualquer pessoa que quiser pode ter o corpo plastico da barbie, basta ginásio e dieta. já a grande cabeça de nancy parece cada vez mais rara. e só a consegue a licitação mais alta no ebay.
também tive uma nancy, de fato de tropa. provocou mais brigas de recreio e envelheceu pior que a barbie.
mas o problema de hoje, dos kens, barbies, nancies, GI joes, spidermanes e afins de carne e osso é a ausência de categorias puras. hoje temos barbies com cabeças de nancies, barbies barriguitas, kens aranhas, etc.
hoje qualquer pessoa que quiser pode ter o corpo plastico da barbie, basta ginásio e dieta. já a grande cabeça de nancy parece cada vez mais rara. e só a consegue a licitação mais alta no ebay.
ideias cabiam aos molhos no capacete de cabelo de um pinipon. o que não faltava por aqueles lados era ideia e investimento, do circo ao supermercado, ao condímio de luxo de férias, aquela comunidade tinha tudo... e emprego que é bom nada.
Na minha infância mais tardia as barbies tiveram uma importância limitada mas de algum relevo que me parece importante partilhar dado a vertente sociológica deste post. Lado a lado com os turbo-rangers, o monopólio, os filmes de terror e a garagem escura - quarto escuro mas agora na versão garagem, existiriam duas barbies e um ken. Os objectos de plástico pertenciam a uma amiga minha da altura, que partilhava-os na maior confidencialidade comigo e com outro amigo. A brincadeira era a seguinte: havia A Barbie, linda, magra, anos 90, loira e independente; havia o Ken, inadjectivável, simplesmente Ken, um acessório no mundo das barbies, tal como o carro ou os sapatos dourados; e havia a outra barbie. A outra barbie, era mais antiga, e tinha um ar velho e estragado, um cabelo menos brilhante, uma silhueta gasta, roupas démodé. Esta barbie tinha sido baptizada, pelo menos entre os três, como barbie porcalhona ou barbie porcalhota. A barbie porcalhota (acho que o -ota lhe cai melhor) era muito pouco púdica e uma verdadeira tarada sexual. A brincadeira era simples: a Barbie e o Ken eram ou estavam para ser um feliz casal de namorados, que davam beijinhos assépticos e trocavam olhares plásticos na sua vidinha normal. Vinha a barbie porcalhota por trás, sempre nua, e em dois movimentos rápidos -zás!, desvirginava o Ken ou a Barbie (não havia cá esquisitisses), sem que eles tivessem voto na matéria. A partir daí, a barbie e o ken tentavam fugir da porcalhota, que tinha ímpetos sexuais sucessivos, ainda para mais contagiosos, que podiam passar para A Barbie e para o Ken. E vejamos, não era nada bonito que as sublimações em plástico do sonho americano para crianças passassem a gostar de sexo. Por isso havia sempre uma correria na mesa em que a barbie porcalhota andava atrás dos outros dois, que às vezes, eram tomados por esta fúria assassina de copular e chegavam mesmo a correr atrás da barbie porcalhota. Tudo isto com uma história romanceada em pano de fundo que estava ao nível dos melhores romances da harlequin.
Há ainda a acrescentar que hoje em dia olho para a barbie porcalhota com outros olhos, vejo-a como uma verdadeira libertária e não uma libertina. Ela era uma mulher independente, de espírito livre, que caso existisse, vivia em Nova York, vestia chanel e piscava o olho à Samantha do Sexo e a Cidade se passasse por ela...
Ass: Incógnito
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Há ainda a acrescentar que hoje em dia olho para a barbie porcalhota com outros olhos, vejo-a como uma verdadeira libertária e não uma libertina. Ela era uma mulher independente, de espírito livre, que caso existisse, vivia em Nova York, vestia chanel e piscava o olho à Samantha do Sexo e a Cidade se passasse por ela...
Ass: Incógnito
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