segunda-feira, julho 02, 2007
são apenas milímetro e meio, dois. no máximo.
de unhas. não sei se servem para mais alguma coisa do que para criar em mim a ansiedade de as roer e o remorso de as ter roído. o remorso e a dor. dói porque arranquei um bocado de mim e dói porque dói. dói mesmo. e dói mais porque eu sei que vai doer e sou eu que, mesmo consciente disso, as arranco à dentada. como se não quisesse que fizessem parte de mim. e ficam a pensar, as cabeças daqueles dedos, na grande estupidez que fazem estes dentes. e umas horas depois, dói, dói, dói, dói mais. onde quer que toque. desde que me conheço como gente que roo unhas. as dos pés eram um clássico depois de sair do banho quando ainda me dobrava facilmente a ponto de chegar com o dedão à boca. agora chego mas já não com a agilidade que permita roer com tempo aquela unha. as das mãos estão, infelizmente, mais à mão. ou mais à boca. demasiado. e assim que vai uma, não há nada a fazer, vão as 10. mais houvera.. as unhas são roídas para matar a ansiedade. e porque as roo, fico mais ansiosa. como uma droga. não me recordo de não roer as unhas. sempre me mutilei por aí. acho que é a pior tentativa de suicídio de sempre. nem funciona, nem chama a atenção. há uns anos consegui dominar esta pequena compulsão e agora caio em tentação apenas de trêsemtrês, seisemseis meses. mas quando caio entro naquela espiral de prazer/dor que só o verdadeiro junky conhece. sem controlo, porque não tem overdose. fica apenas a dor que torna insuportável cada uma das teclas em que carrego para despejar isto tudo. que também não serve para nada. ouch.
Comments:
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Sinceramente nunca percebi muito bem essa cena de roer as unhas. Eu também meto os dedos na boca, quando não sei o que fazer com eles, quando estou nervoso ou simplesmente para tomar o meu suplemento de germes, micróbios e bactérias, mas não roo! Brinco, mordisco mas não tiro nenhuma lasca (esta mesma frase podia ser usada noutros contextos), mas isso também se pode dever às minhas unhas serem um pouco mais duras e custa bué roer aquilo. É que além de doer pra caramba todos sabemos que dá uma claro sinal para o mundo exterior que algo não está bem no nosso interior. É como quando estamos cansados e com olheiras e alguém nos pergunta "está tudo bem?" porque é super evidente que não está! Mas eu também não posso falar. Além de ter um tique nervoso e estar sempre a abanar a perna (restless leg syndrome), até há pouco tempo tinha a mania de deixar crescer as unhas dos pés, que são mais frágeis, e depois corta-las e arranca-las com os dedos das mãos e suas respectivas unhas.
pois podia usar dedeiras e corta-unhas e até ponho verniz incolor para isto ter bom ar e eu não roer. mas nem isso me salvou~desta vez.
vês, vês, de-jo-ni? também te mutilas por via das unhas. isto cresce, eu prometo tentar não fazer mais.
vês, vês, de-jo-ni? também te mutilas por via das unhas. isto cresce, eu prometo tentar não fazer mais.
Olha um bom truque para nunca mais as roeres é virares vegetariana, deixares passar 8 anos e pores um aparelho nos destes entretanto. garanto-te que dentes que não são capazes de roer um bife, também não conseguem roer unhas. às vezes mal consigo comer côdea de pão. No fundo o tempo e a dentatura dar-te-ão o que eu conseguir adequerir antes dos 25 sem prótese dentária.
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