quarta-feira, junho 20, 2007

 

dizia freud que a morte é transformação

um casal de lésbicas está na banheira. as mãos brincam e acariciam e procuram(-se). um casal de lésbicas está na banheira. as mãos fazem saltar as gotas da água e do sangue que corre mais depressa. numa transição imperceptível, o prazer brota como raiva da água da banheira onde estão as duas lésbicas, um casal. a brincadeira nunca perde o sorriso mas as mãos começam a tentar afogá-lo e a respiração fica ofegante e já não é pela proximidade dos corpos, é pela falta do ar que os animava. e mergulham(-se), sempre a sorrir, mergulham(-se) num mergulho cada-vez-mais-para-sempre. o sangue corre cada vez mais depressa, a cada mergulho. o ar escasseia e confunde-se com água e já não respiram, bebem(-se), a cada mergulho. os sentidos desaparecem, apagam, desligam, a cada mergulho. o sorriso não muda, a cada mergulho. a morte chega com o sorriso. um sorriso que não muda, a cada mergulho. como se fosse inevitável a morte quando o amor é demasiado grande e por isso chegasse como o único final feliz. um casal de lésbicas está na banheira.
Comments:
freud is vastly overated
 
raio do freud que não morre.
além disso para ele, nada dessa cena faria sentido se não houvesse um falo. que desprezo pela sexualidade feminina. humpf.
 
freud tb disse... eu jamais compreenderei as mulheres, ou será que foi einstein?? agora confundi-me... de qq das formas, se freud nunca o disse, deveria ter dito porque é do conhecimento público que esta frase descreve-o.
 
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