quarta-feira, novembro 30, 2005

 

lucidez nocturna

enquanto eu adormecia ao telefone, com um ouvido neste mundo e o outro escutando já conversas que nunca hão-de ter lugar, alguém que amo se levantava de outra cama e voltava a ligar o computador. um ataque de lucidez insistia para que, apesar dos ponteiros do relógio não aconselharem o telefonema, me contasse que não só tem muita sorte na vida como se sente extremamente feliz. e também porque me tem a mim. chegou esta manhã, a lucidez, num e-mail. assim e só. precisou de o dizer logo a essa hora porque de manhã, quando o li, podia parecer demasiado lamechas. não pareceu.

a pessoa em causa aqui não interessa, interessa a lucidez do momento. abençoada, que já passou pela minha cama. a lucidez. que avalanche desencadeia esta confissão de pijama, que pode apenas ser feita enquanto o cansaço e o peso das pálpebras não filtra o excesso sentimentalóide de pontos de exclamação e maiúsculas? não sei o que se passou, mas não costuma ser importante. são raros esses instantes em que, geralmente a coberto da escuridão e do silêncio, tudo fica mais claro e parece gritar. olho para além do meu umbigo, vejo-me de cima, pelos olhos dos outros e percebo que a riqueza se mede pelo número de pessoas a quem posso dizer gosto tanto de ti, tenho saudades tuas, amo-te e digo-te isso vezes de menos.

eu também.. eu também.
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:)
 
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