domingo, setembro 25, 2005

 

para sempre é sempre muito tempo

era a hora do descanso dos outros mas quem dança não tem relógio. e os amantes dançam-se a qualquer hora mas escolhem a hora de se despedir. e ali debaixo do meu parapeito era um adeus para sempre. um para sempre a dois. e eu já era três e três é sempre demais. os dois nem sonham, mas aquela despedida acordou-me dos meus sonhos e obrigou-me a testemunhar aquele para sempre. mas para sempre é tanto tempo mesmo no outono e o inverno é sempre mais frio. o pedido era incessante dá-me um tempo dá-me um tempo dá-me um tempo dá-me um tempo dá-me um tempo dá-me um tempo dá-me um tempo mas o que realmente queria era um espaço que o calor daquele abraço não deixava. e depois era o beijo que lhe segurava nas mãos e pedia que ficasse outra vez e para sempre. começa e acaba sempre para sempre. mas para sempre é muito tempo. e é tempo de eu dormir.
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