quarta-feira, agosto 17, 2005

 

mudança de estação (1)

ela não usava protector solar. era inevitável o comentário invejoso das ainda deslavadas de agosto qualquer dia tem um cancro. e já nem se usa. mas não era a moda o motor da mudança de tom. procurava sempre o mesmo e sempre em vão. queimar muito a pele já morena e deixá-la morrer ainda mais do que já é morta a epiderme estival. deixá-la crepitar debaixo da impiedosa estrela, depois arder e cair finalmente. e levar com ela tudo o que é morto dos invernos passados. arrancá-los da pele e de caminho também dos olhos e dos ouvidos. com a dor que dói o passado que se quer queimado.
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