quarta-feira, junho 22, 2005

 

a vertigem da subida

sobem-me as lágrimas como sobe às mães o leite. sem poder alimentar ninguém sobem, desenfreadas, e ficam ali, trémulas, a dançar.

sobem-me as lágrimas e molham-me a cara, como molha o leite a camisa da mãe. não podem evitá-lo. têm de sair, sem destino. sem destinatário. como o leite. as lágrimas que choro.

sobem-me as lágrimas e ficam presas um momento. entre pálpebras. presas. à espera de quem as venha beber.
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