domingo, maio 08, 2005

 

mas eu sou mais rápida do que a minha própria sombra. como o lucky luke.

toda a gente já teve um destes. os amigos sombra são aqueles que aparecem e de quem até se gosta logo muito. porque são uns queridos, estão sempre disponíveis, sempre preocupados connosco. e os crentes na humanidade, como eu, até acreditam neles, até depositam neles alguma confiança. inicial. até perceberem o que está a acontecer. e depois é o chamado ver-se-te-avias para descolar esta sombra que se sobrepõem à nossa com a força de um pega-monstros. até se consegue descolar um bocadinho mas faz logo ricochete e volta com mais força. e ainda demora um pouco até perder a cola.

os amigos sombra tomam como suas as nossas dores. e avançam de imediato para tomar também como seus os nossos amigos, a nossa agenda, os nossos compromissos e até os nossos flirts.

os amigos sombra ouvem-nos contar uma história de um amigo num dia e no dia seguinte, mesmo sem sequer o terem visto ou conhecido, já a contam como a história do “seu” amigo. e como qualquer bom contador de contos, acrescentam-lhe geralmente um ponto. de exclamação, de preferência. sempre apimenta a conversa. e se lhes confidenciamos a nossa opinião sobre alguém, é possível que a usem como “sua” no mesmo momento. e ideias? as ideias fantásticas que são da “sua” lavra cinco minutos depois de as terem absorvido numa conversa? é fantástico, para não dizer assombroso.

a certa altura os amigos sombra começam a tentar interferir nas nossas relações e tentam minar algumas, aquelas que sentem como ameaçadoras. e minam com histórias, conversas “inocentes”, disse-que-disse, leva-e-trás. a alergia que eu tenho ao leva-e-trás. fico verde. às bolinhas. é uma coisa dermatológica, mesmo.

parece haver uma raça de gente que abrilhanta a sua vidinha com novelas alheias e que não olha ao ridículo do que diz e faz. porque toda a gente percebe que aquele é um amigo sombra, que tenta demonstrar uma intimidade que não existe. e tudo soa a oco, a falso, cheira mal.

e estas sombras não param por dá cá aquela palha. não basta deixar de lhes ligar, não basta cortar as conversas a meio. os amigos sombra param apenas quando se lhes diz na cara o que são e o que estão a fazer. parecem pensar que ninguém dá por nada, somos todos parvos que aqui andamos. e só param se confrontados com as suas atitudes. muitas vezes a conversa começa e acaba com um “mas eu não fiz nada disso”. mas chega, em geral, para desaparecerem do mapa.

(na blogosfera também os há. chamo-lhes melgas. perseguem toda a gente, aparecem nos comentários sem se saber de onde, seguem as linhas de outros tentando absorver leitores e links. e há os bonitos casos de plágio e os mais-depressa-se-apanha-um-mentiroso-do-que-um-coxo. fartam-se de linkar e linkar e comentar e comentar. nem sei bem em busca de quê. fama? aqui? a sério, pode-se ser tão ingénuo? adiante.)

dizem-me “tens de ter mais cuidado, bolacha”. mas não, não tenho não. não quero ser mais cautelosa. eu gosto de acreditar nas pessoas. gosto de acreditar porque assim alargo os braços (e desencadeia-se uma estrela de mão, diria herberto helder) e recebo sem filtros, sem reservas as pessoas bonitas, aquelas que valem a pena. e lá caio de vez em quando.


Comments:
Clap, clap, clap, clap! Bravô!
 
A sensação será semelhante a esta?


"A minha comiseração por indivíduos, cuja personalidade é decalcada de outras "

http://moodyswing.blogspot.com/2004_11_01_moodyswing_archive.html
 
Hum...
 
anónimo, anónimo, quem és tu?
e não vale responder como no frei luís de sousa ;)
 
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