quarta-feira, fevereiro 23, 2005
petiscos da bolacha (1) - beringelas gratinadas
Finalmente para gáudio de olhos, narizes e estômagos, aqui fica – e com dedicatória - a receita das beringelas gratinadas da bolacha.
Esta vai direitinha para a batukada e para a myself que, sabe-se lá porquê, gostam, como eu, da onda gelatinosa da beringela.
Apresento o petisco em duas versões. A versão eu-vivo-sozinha-mas-gosto-de-cozinhar-coisas-boas-só-para-mim-porque-se-eu-não-gostar-de-mim-quem-gostará? e a versão eu-até-gosto-de-receber-os-amigos-e-quero-impressionar-e-beringelas-é-de-gente-à-frente. Ingredientes a bold. Quantidades é mesmo a olhómetro. Lamento.
A diferença básica entre as duas versões é tão somente que a primeira se faz apenas com uma ou duas beringelas e se guarda o que sobra num tupperware para levar para o trabalho no dia seguinte e a segunda se faz com quatro ou cinco num enorme tabuleiro, em camadas, qual lasanha, e se guarda o que sobra num tupperware para levar para o trabalho no dia seguinte.
Lavem as beringelas e sequem com um pano ou papel de cozinha (sim, para mim papel de cozinha é um ingrediente!). Cortem em fatias longitudinais com a espessura de mais ou menos um dedo (não é preciso medir e em especial não é necessário usar o dedo como régua muito perto da faca) e disponham umas ao lado das outras numa bancada ou na tábua de corte. Salpiquem de sal grosso e deixem estar assim sugaditas durante uma meia hora. A beringela começa a suar, fica assim com umas gotinhas à superfície. Ao fim da meia hora, sequem as fatias com papel de cozinha (adoro papel de cozinha!), retirando também as pedras de sal que ainda estiverem intactas. Este passo da mariquice de suar a beringela pode ser esquecido. Eu já as fiz sem fazer isto e não me nasceu no forno nenhum mutante intergaláctico verde. E ficou saboroso na mesma. Mas os senhores cozinheiros dizem que sim, que se deve fazer. Por isso, sempre que tenho tempo faço-o.
No entretanto, preparem o que quiserem para entremear (palavra bonita!) com as beringelas. Eu uso o que houver cá em casa no momento. Podem ser courgettes às fatias salteadas, podem ser cogumelos frescos ou enlatados – consoante a viagem mais ou menos inspirada ao supermercado –, pode ser simplesmente polpa de tomate - há uns frasquinhos maravilhosos na zona dos condimentos dos supermercados com uns molhos de tomate já feitos com legumes vários, cogumelos, carne -, enfim, socorram-se do que estiver mais à mão ou do que vos apetecer. Cá em casa, dependendo do espírito que baixa em mim quando entro na cozinha (varia entre a D. Maria da tasca mais próxima e o mais francês dos chefes) pode variar o recheio entre estar horas a laminar cogumelos frescos, courgettes, fazer uma artesanal e saborosa tomatada com manjericão fresco ou comprar um frasco de molho de tomate pré-feito e uma lata de cogumelos e já está. As duas soluções saem bem e confesso que é mais pela catarse-da-colher-de-pau de que por vezes necessito que escolho uma ou outra hipótese. Ou se tenho visitas especiais, como as duas special guests lá de cima.
Numa frigideira com dois dedos de altura de óleo de girassol quente, fritem as fatias (que já suaram as estopinhas!) até que fiquem moles. Não precisam de ganhar cor. Se tiverem muitas fatias para fritar, podem ter de acrescentar óleo a meio tal é a quantidade que a beringela absorve. Por isso, eu gosto de as passar depois por papel de cozinha (esta receita é um não parar de desenrolar o rolo do dito) para retirar o excesso de óleo, que é muito. Não pensem muito nisso na hora de comer o pitéu, senão perdem parte do apetite e olhem que isto vale a pena.
Disponham uma camada de fatias de beringela num tabuleiro de forno. Por cima coloquem as fatias de courgette, os cogumelos, o molho de tomate, o que se lembrarem entretanto ou uma combinação de todos estes ingredientes de forma ordenada, como quem faz desenhos com conchinhas à beira mar. Meticulosamente. Por cima, distribuam uma boa dose de queijo ralado. Pode ser emmental ou outro bom para gratinados. Há umas misturas de queijo ralado para gratinados (eu juro que não era assim, mas agora gosto destas coisas já prontinhas e com instruções precisas: queijo ralado para gratinados, queijo ralado para pizza, etc e tal; não interessa que queijo é, desde que sirva o nosso fim... credo, espero não estar a ficar assim com tudo na vida!). Resumindo, atulhem a coisa de queijo!
Na versão os-solteiros-também-comem-bem-mesmo-quando-estão-sozinhos acabam por fazer apenas uma ou duas camadas dependendo do tamanho do tabuleiro. Na versão beringelas!-é-mesmo-essa-a-entrada-que-vou-servir-aos-soares-e-castro-quando-cá-vierem-no-sábado, façam camadas até encher o tabuleiro. Acabam sempre com queijo, toneladas de queijo.
Levem ao forno quente. O queijo derrete e a coisa ferve.
Quando estiver com ar tostadinho, retirem do forno e sirvam assim, bem quente. Avisem os convidados, se os tiverem, que têm de esperar que arrefeça. E fiquem de sobreaviso se estiverem sozinhos. A gula já me queimou a língua. Toma lá para não seres gananciosa, bolacha!
E não se esqueçam de fazer tudo como se fosse o jantar mais especial de todos os tempos. Aquele jantar! Aquele! É que esse condimento não se compra..
Experimentem. E contem, sim?
Esta vai direitinha para a batukada e para a myself que, sabe-se lá porquê, gostam, como eu, da onda gelatinosa da beringela.
Apresento o petisco em duas versões. A versão eu-vivo-sozinha-mas-gosto-de-cozinhar-coisas-boas-só-para-mim-porque-se-eu-não-gostar-de-mim-quem-gostará? e a versão eu-até-gosto-de-receber-os-amigos-e-quero-impressionar-e-beringelas-é-de-gente-à-frente. Ingredientes a bold. Quantidades é mesmo a olhómetro. Lamento.
A diferença básica entre as duas versões é tão somente que a primeira se faz apenas com uma ou duas beringelas e se guarda o que sobra num tupperware para levar para o trabalho no dia seguinte e a segunda se faz com quatro ou cinco num enorme tabuleiro, em camadas, qual lasanha, e se guarda o que sobra num tupperware para levar para o trabalho no dia seguinte.
Lavem as beringelas e sequem com um pano ou papel de cozinha (sim, para mim papel de cozinha é um ingrediente!). Cortem em fatias longitudinais com a espessura de mais ou menos um dedo (não é preciso medir e em especial não é necessário usar o dedo como régua muito perto da faca) e disponham umas ao lado das outras numa bancada ou na tábua de corte. Salpiquem de sal grosso e deixem estar assim sugaditas durante uma meia hora. A beringela começa a suar, fica assim com umas gotinhas à superfície. Ao fim da meia hora, sequem as fatias com papel de cozinha (adoro papel de cozinha!), retirando também as pedras de sal que ainda estiverem intactas. Este passo da mariquice de suar a beringela pode ser esquecido. Eu já as fiz sem fazer isto e não me nasceu no forno nenhum mutante intergaláctico verde. E ficou saboroso na mesma. Mas os senhores cozinheiros dizem que sim, que se deve fazer. Por isso, sempre que tenho tempo faço-o.
No entretanto, preparem o que quiserem para entremear (palavra bonita!) com as beringelas. Eu uso o que houver cá em casa no momento. Podem ser courgettes às fatias salteadas, podem ser cogumelos frescos ou enlatados – consoante a viagem mais ou menos inspirada ao supermercado –, pode ser simplesmente polpa de tomate - há uns frasquinhos maravilhosos na zona dos condimentos dos supermercados com uns molhos de tomate já feitos com legumes vários, cogumelos, carne -, enfim, socorram-se do que estiver mais à mão ou do que vos apetecer. Cá em casa, dependendo do espírito que baixa em mim quando entro na cozinha (varia entre a D. Maria da tasca mais próxima e o mais francês dos chefes) pode variar o recheio entre estar horas a laminar cogumelos frescos, courgettes, fazer uma artesanal e saborosa tomatada com manjericão fresco ou comprar um frasco de molho de tomate pré-feito e uma lata de cogumelos e já está. As duas soluções saem bem e confesso que é mais pela catarse-da-colher-de-pau de que por vezes necessito que escolho uma ou outra hipótese. Ou se tenho visitas especiais, como as duas special guests lá de cima.
Numa frigideira com dois dedos de altura de óleo de girassol quente, fritem as fatias (que já suaram as estopinhas!) até que fiquem moles. Não precisam de ganhar cor. Se tiverem muitas fatias para fritar, podem ter de acrescentar óleo a meio tal é a quantidade que a beringela absorve. Por isso, eu gosto de as passar depois por papel de cozinha (esta receita é um não parar de desenrolar o rolo do dito) para retirar o excesso de óleo, que é muito. Não pensem muito nisso na hora de comer o pitéu, senão perdem parte do apetite e olhem que isto vale a pena.
Disponham uma camada de fatias de beringela num tabuleiro de forno. Por cima coloquem as fatias de courgette, os cogumelos, o molho de tomate, o que se lembrarem entretanto ou uma combinação de todos estes ingredientes de forma ordenada, como quem faz desenhos com conchinhas à beira mar. Meticulosamente. Por cima, distribuam uma boa dose de queijo ralado. Pode ser emmental ou outro bom para gratinados. Há umas misturas de queijo ralado para gratinados (eu juro que não era assim, mas agora gosto destas coisas já prontinhas e com instruções precisas: queijo ralado para gratinados, queijo ralado para pizza, etc e tal; não interessa que queijo é, desde que sirva o nosso fim... credo, espero não estar a ficar assim com tudo na vida!). Resumindo, atulhem a coisa de queijo!
Na versão os-solteiros-também-comem-bem-mesmo-quando-estão-sozinhos acabam por fazer apenas uma ou duas camadas dependendo do tamanho do tabuleiro. Na versão beringelas!-é-mesmo-essa-a-entrada-que-vou-servir-aos-soares-e-castro-quando-cá-vierem-no-sábado, façam camadas até encher o tabuleiro. Acabam sempre com queijo, toneladas de queijo.
Levem ao forno quente. O queijo derrete e a coisa ferve.
Quando estiver com ar tostadinho, retirem do forno e sirvam assim, bem quente. Avisem os convidados, se os tiverem, que têm de esperar que arrefeça. E fiquem de sobreaviso se estiverem sozinhos. A gula já me queimou a língua. Toma lá para não seres gananciosa, bolacha!
E não se esqueçam de fazer tudo como se fosse o jantar mais especial de todos os tempos. Aquele jantar! Aquele! É que esse condimento não se compra..
Experimentem. E contem, sim?
Comments:
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Receita mai linda nunca li, mas estou a viver uma fase Carrie-sem-a-pancada-dos-sapatos (linkada pela Maria_das_Flores): "The only thing I've ever successfully made in the kitchen is a mess. And several small fires."
Pronto, já passei a receita a mais umas quantas fadas-do-lar.
Confesso que devias dedicar-te à escrita culinária. Ninguém o faz de forma apaixonda e divertida como tu.
Confesso que devias dedicar-te à escrita culinária. Ninguém o faz de forma apaixonda e divertida como tu.
deixa-me só ter um forno, que eu até tiro fotografias às benditas!
Oh se tiro!
e sou gaja para vos convidar a todas para irem lá a casa (a tal do forno) jantar esse petisco.
caraças se não sou.
Oh se tiro!
e sou gaja para vos convidar a todas para irem lá a casa (a tal do forno) jantar esse petisco.
caraças se não sou.
vocês deixam-me com vontade de escrever mais receitas. ai ai. e o trabalho que não deixa. podia passar o dia nisto!
oi bolacha!
fiz uma pesquisa no google com beringelas e forno, e acabei por descobrir esta fantastica receita!
nunca pensei que ler uma receita pudesse ser tao saboroso como come-la! enfim, estas de parabens e acho mesmo que devias dedicar-te mais a esta actividade.
experimentei a receita naturalmente, mas substitui a parte do fritar por uma dose previa de beringela no forno. acho que ficaram igualmente boas e talvez mais saudáveis. apenas a casca nao ficou tao comestivel... as courgettes deram uma cobertura muito boa, potenciada pelo queijo de cabra... hummmm... modestias à parte ficaram optimas. acabei por comer todas e nao deixar nenhumas para levar amanha para o trabalho como planeado. mando fotografias para provar... bem, nao dá lá muito para provar o que é uma pena. e também nao estao especialmente fotogénicas... enfim, o sabor é o mais importante, juntamente com as boas energias que transmitimos para a comida
http://pam.home.sapo.pt/imagens/beringelas1.jpg
http://pam.home.sapo.pt/imagens/beringelas2.jpg
fica bem
pré-divorciado-que-gosta-de-comer-bem-quando-está-sozinho-numa-fase-experimentalista-da-cozinha
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fiz uma pesquisa no google com beringelas e forno, e acabei por descobrir esta fantastica receita!
nunca pensei que ler uma receita pudesse ser tao saboroso como come-la! enfim, estas de parabens e acho mesmo que devias dedicar-te mais a esta actividade.
experimentei a receita naturalmente, mas substitui a parte do fritar por uma dose previa de beringela no forno. acho que ficaram igualmente boas e talvez mais saudáveis. apenas a casca nao ficou tao comestivel... as courgettes deram uma cobertura muito boa, potenciada pelo queijo de cabra... hummmm... modestias à parte ficaram optimas. acabei por comer todas e nao deixar nenhumas para levar amanha para o trabalho como planeado. mando fotografias para provar... bem, nao dá lá muito para provar o que é uma pena. e também nao estao especialmente fotogénicas... enfim, o sabor é o mais importante, juntamente com as boas energias que transmitimos para a comida
http://pam.home.sapo.pt/imagens/beringelas1.jpg
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fica bem
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