quarta-feira, fevereiro 16, 2005

 

coisas que me deixam l(o)u(c)a (1)*

o baixo dos morphine, por exemplo.


outro dia confessava isso a um profissional da coisa. e descobri umas coisas. gosto mesmo de aprender. reparem como as perguntas são dignas de um qualquer five-year-old. como, porquê, onde? mããããeeeee, diz lá.
bolacha - aquele baixo dos morphine faz milagres.
o profissional - é um fretless tocado com um slide e uma data de efeitos e fica com aquele som marado.
bolacha - o que é um fretless?
o profissional - um fretless é um baixo sem trastes, mais ou menos como são os contrabaixos ou os violinos, mas com o tamanho e a forma de um baixo eléctrico. fret - less. fret são os trastes.
bolacha - e o que são os trastes?
o profissional - são aquelas barras de metal que estão ao longo do braço das guitarras. são eles que permitem teres notas diferentes. se premires a corda antes deles eles alteram o comprimento da corda, logo a velocidade de vibração e consequentemente a altura da nota.
bolacha - hmmmm.


* eh pá, isto podia ser uma série!


Comments:
O "profissional" não sabe o que diz: o baixo do Mark Sandman não era um baixo fretless.

Era um "Premier" muito antigo, com trastes, mas com algumas modificações: os pick-ups foram substituídos, por exemplo.

Para mais, ele só tinha duas cordas no baixo afinadas de uma maneira muito particular.

E sim, ele tocava com um slide (por vezes com um pedaço de vidro).

Posto isto, resta acrescentar que o baixo do Mark Sandman (ou os baixos, porque ele tinha dois muito semelhantes) eram os instrumentos mais sexys do planeta.
 
decidam-se. eu cá só sei dizer que gosto.
e pick ups, o que são?
 
O pickup é uma peça electrónica que capta, por magnetismo (variações do campo electromagnético causadas pelo vibrar das cordas), a vibração das cordas de aço da guitarra eléctrica. As guitarras e baixos podem ter um ou vários pickups, a funcionar em conjunto ou individualmente (as peças que tratam da escolha da combinação são aqueles interruptores que vocês vêem nas guitarras). Há vários tipos de pickup, com sons diferentes. A própria posição do pickup influencia o som do instrumento. É extremamente frequente os músicos substituírem o pickup das suas guitarras, sobretudo aqueles que compram guitarras antigas (o som tende a melhorar com o tempo devido à secagem da madeira), mas isso não se classifica como "modificação": é como montarem um escape diferente no vosso carro.

Os trastes fazem variar a frequência de vibração, alterando a nota. A sua posição é determinante, estando mesmo tabelada, e a distância entre trastes varia com o comprimento do braço ("pau" onde a mão esquerda toca), e com a marca e modelo do instrumento. É diferente caso se trate de uma guitarra ou de um baixo, uma vez que a espessura das cordas é maior no baixo e isso leva a ter que se usar um braço maior. Como é fácil de imaginar, quanto mais próximo do fim da corda estiver um traste, mais agudo é o som, embora nesta área os trastes são menos espaçados, o que torna difícil atingir notas mais agudas. Esse motivo leva alguns músicos mais experientes a utilizar instrumentos sem trastes para produzir esses tons agudos.

Há músicos (incluindo o Dave Dederer dos Presidents of the United States of America e, penso eu, o Mark Sandman) que usam menos do que 4 cordas (o número standard de cordas para os baixos). A um baixo destes chama-se guitbass.

Um slide (ou bottleneck) é um cilindro oco de metal que se põe no dedo com que se prime a corda que afecta o timbre e não a nota. Modifica o som, apenas. Há quem faça esse efeito com vidro, "palhetas eléctricas" ou latas de coca-cola vazias.

Os efeitos são tratamentos electrónicos do som. Podem ser ecos, delay, vibratos, wahwah (para perceber é só ouvir o início da Kiss do Prince) e muitas outras coisas. São geralmente processados por pedaleiras (aqueles painéis que estão muitas vezes no chão dos palcos), mas em estúdio é possível utilizarem-se computadores.

Também adoro Morphine.
 
dou por encerrado o duelo. como é que se faz isso? é com um lencinho branco? bem, o importante é que acho que já percebi tudinho.
e numa coisa ficamos estamos mesmo todos de acordo. aquele baixo fazia (faz!) milagres.
 
ficamos, estamos, whatever..
 
mas isto é serviço público, maria! agora já sabemos mais qq coisinha..
será que trastes e slides e ecos e delays é mais coisa de gajo?
 
dessas cenas não sei nada, mas de morphine só posso contar a minha história (que é inteiramente verídica)...

certo dia um punk, um alentejano e eu ficámos na escola até mais tarde, dentro de um gabinete minúsculo, à frente de um pc ranhosamente lento mas que tinha leitor de cd (uauuu!).

às tantas o punk pergunta se queremos ouvir um som...

e não é que sai morphine! e não é que fiquei apaixonado! e não é que no outro dia andei a correr todas as lojas à procura de cds deles! e não é que de uma assentada comprei logo todos os que já tinham saído até então! e não é que passado algum tempo eles vieram a portugal (super-bock) e eu estava com a batukada e o papixulo na primeira fila! e não é que chorei quando o mestre morreu!...
 
isso parece anedota. um punk, um alentejano e eu... eheh
a batukada já me tinha contado do super rock. parece que nos cruzámos nessa primeira fila..
 
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