quarta-feira, janeiro 05, 2005
em silêncio
continuo a resistir a esta passagem de ano. porque estou esmigalhada pelo mundo.
mudar de ano teve muitas vezes em mim uma carga psicológica positiva. mudar de ano, mudar de vida, mudar coisas na vida. mudar. e mudar é sempre bom. mesmo quando não é para melhor. se há mudança, há vida. se mudamos, existimos. e se parar é morrer, que dizer de estagnar?
este ano dei comigo a pensar que está tudo na mesma. por isso este janeiro não traz agarrada essa carga de esperança que se quer do janeiro. pelo menos dos primeiros dias. e que é expressa nos votos de prosperidade, felicidade, e outras “ades” para o novo ano.
e neste janeiro soalheiro - e a minha inércia face à mudança de ano não pode ser alheia a isto - continuo a ser esmigalhada pelos 150 mil a menos no planeta pela razão simples de que somos tão pequenos no mundo que nos rodeia e que tão mal compreendemos. uma casca de noz na tempestade. uma migalhinha. e mais esmigalhada fico por pensar nos milhões que terão de se levantar dos escombros e recomeçar do nada. faz-me pensar na pequenez do meu mundo e dos meus problemas. que são enormes cá no meu mundo, mas não são sequer uma gota na gigantesca onda que do outro lado do mundo deixou um rasto de... nada. muitos nadas. e continuamos a não poder usar as nossas mãos para fazer nada que sirva realmente para ajudar. nem um bocadinho de nada. completa impotência. tão grande que angustia.
é por essas e por outras que ando com dificuldade em ver telejornais, cujas notícias de abertura são “imagens novas da destruição” e “mãe inglesa diz que não sai da tailândia sem o corpo da filha”. e não estou a falar do bode expiatório do costume. não foi na tvi, não. há 150 mil histórias assim, mais as dos desaparecidos, ainda por apurar. e as histórias dos vivos, que se contam menos porque doem mais. aos mortos já não podemos acudir. e não as quero ouvir todas. podem acusar-me de ser como a avestruz, mas não me parece que isso ajude alguém. pelo menos lá. e a mim não ajuda decerto. essas e as histórias de turistas que decidiram viajar. ouvi relatos de passeios ao largo das ilhas destruídas. para ver os “nadas” que lá existem. deve ser agradável nadar num oceano que é agora vala comum. talvez dê à costa uma perna ou um braço quando apanharem o precioso banho de sol que não podiam perder. o facto de serem acéfalos deve ajudar a lidar com essa realidade. não lidando, de certo. é a única forma. se tenho de viver num país e num mundo assim, às vezes penso se quero viver de todo. e para quê. sim, estou mesmo assim. tudo isto me deixa profundamente triste e tenho de me defender para sobreviver. por isso não vejo telejornais. enterro a cabeça na areia. e por isso, e por enquanto, não mudo de ano.
hoje fazemos todos 3 minutos de silêncio às 11h da manhã, em nome das vítimas desta tragédia. e se isso ajuda as nossas consciências individuais a sentir-se colectivas nestes momentos de dor, nada faz pelos que sobreviveram. eu tenho feito muitos silêncios sozinha e ainda nem a mim me ajudaram, quanto mais aos que ficaram por lá cheios de nada. por esses, só podemos tentar minimizar os danos. ajudando a sério. e como não podemos ir todos para lá, aqui ficam sugestões. em silêncio.
AMI - Assistência Médica Internacional
Banco Espírito Santo: nº 015/40000/0006
Tranferência bancária para o BES: NIB 0007.0015.00400000006.72
Multibanco: entidade 20909 e referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços
Caritas
Caixa Geral de Depósitos: NIB 0035.0697.00630917930.82
Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade
Montepio Geral - NIB 0036.0093.99100067797.10
Cruz Vermelha Portuguesa
Banco Português de Investimento: NIB 0010.0000.13722270009.70
Montepio Geral - Conta de solidariedade
Montepio Geral - NIB 0036.0088.99100039366.18
Médicos do Mundo
Banco Português de Investimento – NIB 0010.0000.94449990001.70
Caixa Geral de Depósitos – NIB 0035.0551.00007722130.32
Telefone para informações: 808 23 40 20
UNICEF - SOS Crianças da Ásia
Caixa Geral de Depósitos: NIB 0035.0127.00028241230.54
mudar de ano teve muitas vezes em mim uma carga psicológica positiva. mudar de ano, mudar de vida, mudar coisas na vida. mudar. e mudar é sempre bom. mesmo quando não é para melhor. se há mudança, há vida. se mudamos, existimos. e se parar é morrer, que dizer de estagnar?
este ano dei comigo a pensar que está tudo na mesma. por isso este janeiro não traz agarrada essa carga de esperança que se quer do janeiro. pelo menos dos primeiros dias. e que é expressa nos votos de prosperidade, felicidade, e outras “ades” para o novo ano.
e neste janeiro soalheiro - e a minha inércia face à mudança de ano não pode ser alheia a isto - continuo a ser esmigalhada pelos 150 mil a menos no planeta pela razão simples de que somos tão pequenos no mundo que nos rodeia e que tão mal compreendemos. uma casca de noz na tempestade. uma migalhinha. e mais esmigalhada fico por pensar nos milhões que terão de se levantar dos escombros e recomeçar do nada. faz-me pensar na pequenez do meu mundo e dos meus problemas. que são enormes cá no meu mundo, mas não são sequer uma gota na gigantesca onda que do outro lado do mundo deixou um rasto de... nada. muitos nadas. e continuamos a não poder usar as nossas mãos para fazer nada que sirva realmente para ajudar. nem um bocadinho de nada. completa impotência. tão grande que angustia.
é por essas e por outras que ando com dificuldade em ver telejornais, cujas notícias de abertura são “imagens novas da destruição” e “mãe inglesa diz que não sai da tailândia sem o corpo da filha”. e não estou a falar do bode expiatório do costume. não foi na tvi, não. há 150 mil histórias assim, mais as dos desaparecidos, ainda por apurar. e as histórias dos vivos, que se contam menos porque doem mais. aos mortos já não podemos acudir. e não as quero ouvir todas. podem acusar-me de ser como a avestruz, mas não me parece que isso ajude alguém. pelo menos lá. e a mim não ajuda decerto. essas e as histórias de turistas que decidiram viajar. ouvi relatos de passeios ao largo das ilhas destruídas. para ver os “nadas” que lá existem. deve ser agradável nadar num oceano que é agora vala comum. talvez dê à costa uma perna ou um braço quando apanharem o precioso banho de sol que não podiam perder. o facto de serem acéfalos deve ajudar a lidar com essa realidade. não lidando, de certo. é a única forma. se tenho de viver num país e num mundo assim, às vezes penso se quero viver de todo. e para quê. sim, estou mesmo assim. tudo isto me deixa profundamente triste e tenho de me defender para sobreviver. por isso não vejo telejornais. enterro a cabeça na areia. e por isso, e por enquanto, não mudo de ano.
hoje fazemos todos 3 minutos de silêncio às 11h da manhã, em nome das vítimas desta tragédia. e se isso ajuda as nossas consciências individuais a sentir-se colectivas nestes momentos de dor, nada faz pelos que sobreviveram. eu tenho feito muitos silêncios sozinha e ainda nem a mim me ajudaram, quanto mais aos que ficaram por lá cheios de nada. por esses, só podemos tentar minimizar os danos. ajudando a sério. e como não podemos ir todos para lá, aqui ficam sugestões. em silêncio.
AMI - Assistência Médica Internacional
Banco Espírito Santo: nº 015/40000/0006
Tranferência bancária para o BES: NIB 0007.0015.00400000006.72
Multibanco: entidade 20909 e referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços
Caritas
Caixa Geral de Depósitos: NIB 0035.0697.00630917930.82
Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade
Montepio Geral - NIB 0036.0093.99100067797.10
Cruz Vermelha Portuguesa
Banco Português de Investimento: NIB 0010.0000.13722270009.70
Montepio Geral - Conta de solidariedade
Montepio Geral - NIB 0036.0088.99100039366.18
Médicos do Mundo
Banco Português de Investimento – NIB 0010.0000.94449990001.70
Caixa Geral de Depósitos – NIB 0035.0551.00007722130.32
Telefone para informações: 808 23 40 20
UNICEF - SOS Crianças da Ásia
Caixa Geral de Depósitos: NIB 0035.0127.00028241230.54
