segunda-feira, janeiro 17, 2005

 

e depois descansou.

despia-se como todos os dias, ignorando por completo a necessidade de despir a pele por baixo da roupa para poder descansar. despia-se mais uma vez junto ao espelho e nesse dia, olhou a pele que o tempo rasgou. as rugas, as estrias, as marcas deste ou daquele dia numa queimadura, numa cicatriz. despiu nesse dia a roupa e a pele. e olhou-se no espelho para se ver como recusava fazer há muito. espelho meu, que fui eu fazer de mim? estás velha, amiga. velha. mais velha, pelo menos. e a pele, nua, reagiu ao frio com um arrepio que tinha também lá dentro a dura aceitação da velha feita nova realidade.

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