quinta-feira, novembro 18, 2004

 

mais poemas enquanto leio prosas

Amor, hoje teu nome
a meus lábios escapou
como ao pé o último degrau...

Espalhou-se a água da vida
e toda a longa escada
é para recomeçar

Desbaratei-te, amor, com palavras.

Escuro mel que cheiras
nos diáfanos vasos
sob mil e seiscentos anos de lava -

Hei-de reconhecer-te pelo imortal
silêncio.


Cristina Campo
O Passo do Adeus

Comments:
Fiquei a cismar no silêncio imortal... e continuo.
 
em tempos cruzei-me com alguém cujo imortal silêncio de então era uma incofessável ânsia. permanece nesse e continuo curiosa. e, como tu, fico a cismar.

ainda hei-de encontrar para aqui o poema (do nuno júdice, salvo erro) que diz que a poesia nos encontra quando precisamos de a ler e nos toca sempre porque cada um lê nela o que precisa de ler.

foi isso que me aconteceu quando encontrei este poema. que tenho pendurado num azulejo da cozinha :)
 
É verdade isso, sabes? Aplica-se não só à poesia como a muitas outras coisas.
Reparaste no que disseste: "...foi isso que me aconteceu quando encontrei este poema. que tenho pendurado num azulejo da cozinha...". É a segunda vez que és pessoa. Na primeira disseste que eras agora situaste-te como tal. Sou apaixonado por estas areias ou ácaros ou o que lhes quisermos chamar de pequenas coisas que são.
Não precisas devolver, ahahahah.
 
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