sábado, julho 31, 2004

 

decidi

Os dois dias mais quentes do ano na cidade. Uma onda de calor e poeira do deserto. O apelo do deserto chegou na forma de uma subida vertiginosa do mercúrio para nos lembrar de que está já ali em baixo. E uma atmosfera carregada, um céu turvo que parece servir de cortina para o resto do mundo. A prender-me na cidade. Nesses dois dias tive de arrumar os restos de uma casa, de uma vida lá dentro. Para poder renascer. Num parto que se faz de dentro de caixotes e sacos de compras. Depois de uma separação, finalmente parecia aproximar-se a calma de uma vida nova. Mas o turbilhão está ainda no início.

Nesses dois dias de um calor que anestesia, entorpece, decidi. Preciso. De ir ao deserto.

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