segunda-feira, junho 21, 2004
as coisas simples
Este ano, senti o perfume das jacarandás. Nunca tinha até agora, em 27 finais de Primavera, percebido aquele odor pelas ruas. Deixei que esse pensamento me escapasse naquela conversa de quem vai-no-carro-e-nunca-mais-chega-ao-destino pensando que ia apenas encher o espaço com palavras. Mas a sintonia entre duas amigas raramente permite que uma trivialidade venha apenas preencher um vazio com sons. E tive resposta. Este ano as jacarandás até estão atrasadas porque costumam florir mais cedo. Percebi que devia andar mesmo distraída porque em tantos anos nem lhes sentira o perfume enquanto os outros sabiam quando até quando o perfume chegava. As jacarandás servem até para contar o tempo na cidade. E Lisboa não pode entrar no Verão sem as jacarandás darem o sinal de partida. E começa a corrida para o Outono.